Biografia

  1. Quem é Wanderley
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  3. O apoio da família
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  5. O bom humor
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  7. 30 anos de rádio
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  9. A amizade
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  11. Dicas para viver bem
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Milton Neves veio das nuvens...

Aliado a tudo isso, você é conhecido aqui por conseguir se dar bem mesmo com pessoas consideradas difíceis. É uma capacidade de conviver que é uma coisa extraordinária. Não uma capacidade de conviver tolerando e gerenciando problemas. Você convive bem.

WN - Eu acho a vida simples, não é complicada. É uma questão matemática. Por exemplo: eu passo 70 por cento da minha vida na Jovem Pan ou a serviço da Jovem Pan. Aqui é minha casa. Eu seria um idiota se alimentasse um inferno, se eu alimentasse uma intriga, divisão ou rompimento, rachadura.

Você também não faz isso de maneira passiva. Você consegue colocar as suas idéias, fazer as coisas do seu jeito sem arranjar encrenca com ninguém.

WN - Mas eu acho que é possível isso desde que as pessoas percebam que você não está entrando na rota de colisão, que você está expressando a sua opinião, está querendo contornar algumas dificuldades, talvez até aproximar algumas pessoas. Tem uma pessoa aqui na rádio que fala que se eu não fosse jornalista, eu daria muito para ser um extraordinário bombeiro para apagar incêndios. Eu encaro isso até como elogio. Eu acho que é isso mesmo. Se eu puder fazer com que as pessoas se aproximem, mesmo fora daqui, aqui, na minha família, eu faço isso com o maior prazer. Isso me faz sentir bem. Eu acho que é isso mesmo. Primeiro, é preciso saber que a vida é extremamente rápida. Segundo, as pessoas não sabem, mas se você for a um hospital com pacientes terminais, pegar um médico desses que tem a triste missão de estar segurando a mão de quem dá o último suspiro., pode ser o rei do país mais rico do mundo ou o cara mais pobre, quase todos eles - e posso dizer porque tenho dois ou três amigos que fazem esse tipo de trabalho - o médico pergunta o que gostaria de ter feito e o que não fez.

De cada dez, oito dizem que é ter dito para minha filha que a amo muito, dizer para minha mulher que ela é maravilhosa, que é apaixonado por ela, queria ter pedido desculpas para este ou aquele, gostaria de ter falado... ele não fala que gostaria de ter ganho mais dinheiro, de ter comprado dois prédios, queria ter outro carro de ouro. As pessoas não falam isso. É uma coisa tão emocional e tão pessoal. Quer dizer, o mais importante é que naquele momento da despedida, em que tudo acaba, ele queria falar exatamente isso: "Eu queria ter dito para a minha mulher que eu gosto para cacete dela. Eu passei trinta anos sem falar isso". Se as pessoas tivessem esse tipo de experiência, eu acho que muitas coisas mudariam e se daria menos valor a tantas coisas...tipo assim, quando você passa no elevador e a pessoa não te cumprimenta, já se cria o rompimento: "Ele não me cumprimentou, não lhe cumprimentarei mais". Eu morro de rir quando penso nessas coisas.

Acho tão pequeno o motivo de alguns rompimentos. Então, eu acho possível, assim como acho possível transferir isso para o meu trabalho. Numa entrevista, por exemplo, eu pergunto o que eu quero para quem eu quero perguntar, sem nenhum tipo de censura e o cara me responde porque eu pergunto com respeito. Eu não trato o entrevistado como interrogado. É diferente: as pessoas confundem entrevista com interrogatório. Não existe comigo esse negócio de brigar com entrevistado. E fazer a entrevista se transformar numa discussão. Isso ocorre e dizem que tudo aquilo ficou bonito naqueles trinta segundos no ar. Nossa, que impacto! E daí?". Eu não quero brigar com o entrevistado. Quem tem de brigar com o entrevistado é o júri, é o promotor de justiça, não é o repórter. Eu quero perguntar e quero a resposta. Então, a vida é tão prática.

Você quer pegar uma formiga, você pega com um pratinho de mel, não pega com pratinho de vinagre. No vinagre, elas desaparecem, no mel, pulam todas. Então, acho que se você souber perceber que essa relação é importante, conversar com pessoas, acho que você cresce todos os dias. Acho que essa é a minha filosofia. Como jornalista, pergunto para todo mundo o que quero e obtenho as respostas sem precisar dar uma bofetada no entrevistado. Mas é uma questão de linha, postura, respeito. As minhas observaçães fazem com que eu perceba que essa é a linha que funciona.

Agora, tem a questão das brincadeiras. De todas essas brincadeiras do dia-a-dia, tem alguma que você tenha planejado mais ou que tenha sido memorável pelo trabalho que te deu? Que você dedica boa parte do seu tempo a pensar nisso.

WN - Eu não digo boa parte do tempo, mas eu sempre dedico boa parte do meu dia para saber como provocar uma situação de riso. Acho engraçado alguma coisa. Sou um cara de bom humor, costumo brincar muito com as pessoas fora do ar e no ar também. Esse clima faz bem. Vocç não pode ter o fígado na boca.

Mas tem algumas coisas que dão trabalho. Porque o Nilson César, na entrevista que deu para este livro, falou que umas quatro vezes desembarcou no exterior e na alfândega parou porque ele levava uma lixeira na bagagem...

WN - Mas eu não tive nenhuma participação nisso. Realmente, se a gente puder fazer com que algumas brincadeiras se criem, a gente encomenda roupas para os outros, até para cuidar da estética das pessoas. Terno, você encomenda, calças...

Mas você colocou ou não a lixeira na mala dele?

WN - Ah, eu não vou responder isso.

E esse negócio de encomendar roupas para os outros?

WN - Eu encomendo. Eu descubro o alfaiate da pessoa e telefono dizendo que a pessoa está precisando de duas, três calças, mas com urgência, para entregar, com endereço certinho. É muito engraçado. Cada dia dá para sacar uma. Você acorda as pessoas de madrugada e vai fazendo. Isso cria um clima, uma relação. As pessoas riem, acham legal... A minha vida é muito ligada à Jovem Pan, eu acho que é quase uma coisa junto com a outra.

Saiba Mais: 30 anos de rádio


Entrevista a Álvaro Alves de Faria, extraída do livro "Jovem Pan: A Voz do
Rádio" (RG Editores)

AA - Wanderley Nogueira é uma pessoa que, estando em Lisboa às 3 horas da madrugada (23 horas no Brasil), numa casa de fados na Alfama, ao lado de sua mulher Nilde, liga pelo celular e diz:

WN - Poeta, estou tomando um vinho e me lembrei de você. Quero que você ouça este fado.

AA - E deixa o som do fado com seu poema de amor atravessar o Oceano Atlântico.

AA - Depois pergunta:

WN - Gostou?

AA - Em sequida diz:

WN - Tomo um gole em sua homenagem!

AA - E desliga.

AA - Coisas assim revelam quem é Wanderley Nogueira, repórter de esporte da Jovem Pan, amado por todos por sua competência e cordialidade constante em tratar com as pessoas, com seus cinco cães e ao cuidar, todos os dias, da gruta que tem no enorme quintal, homenagem à Nossa Senhora...

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Álbum de fotos pessoais octavio-rizzo
Sr. Octávio Rizzo, pai de Wanderley Nogueira.
Foto: Arquivo Pessoal