Biografia

  1. Quem é Wanderley
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  3. O apoio da família
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  5. O bom humor
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  7. 30 anos de rádio
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  9. A amizade
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  11. Dicas para viver bem
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Com a filha Patrícia, (esq) recebendo o troféu Bola da Ouro. Hoje a moça é publicitária, atriz e radialista

Mas, quando você entrou na Jovem Pan foi para a reportagem?

WN - Entrei para a reportagem. No começo, eu fazia o outro lado do jogo. Inventamos esse negócio do outro lado. O cara fazendo xixi, o cara xingando o árbitro, coisa assim.

Mas, você já tinha noção desse potencial de, além de repórter, se testar como show-man?

WN - Claro. Eu acho que tinha. A gente fazia jornal e quando entrei na rádio, isso começou a emplacar. Coisas engraçadas começam a acontecer no ar. Um dia, ia começar um grande clássico e tinha um cara tocando piano clássico em uma mansão do Morumbi. O Morumbi lotado e eu fui bater na porta dele para saber o que ele estava fazendo. Do lado da casa dele, o mundo caindo... mais de cem mil pessoas no estádio lotado. Corinthians e Palmeiras e o cara não estava nem a, tocava uma valsa vienense no piano. E eu entrei com esse cara tocando valsa vienense e, desde então, a gente começou a fazer muita coisa diferente. Essas coisas começaram a marcar muito aqui na Jovem Pan. Estou contando uma história de 1977. Aí veio a Copa de 78. Uma Copa difícil de ser feita na Argentina, sob a ditadura militar. Depois a Copa de 82, na Espanha, outra Copa em 86, as de 90, 94, 98, 2002.

Nessas histórias, você já viajou o mundo inteiro trabalhando?

WN - Pela Jovem Pan, em todos os continentes, dezenas de países, falamos dos lugares mais incríveis, transmissões das mais difíceis, muita entrevista boa a gente fez. Então, foi uma história... meus filhos cresceram nisso e compreenderam tudo isso. Quer dizer, a Patrícia tem hoje 24 anos e eu faltei em 18 aniversários dela. Estava sempre fora. O meu filho Rodrigo nasceu um pouquinho mais para a frente, nasceu em setembro de 1980. Mas a gente nunca teve problema por causa disso. Eles sempre compreenderam toda essa agitação. Eles sempre compreenderam e sempre deram muito valor para isso. Minha família sempre foi e é muito estruturada.

Vai também da sua mulher entender, porque não é fácil você ter um cara que trabalhava num horário certinho ganhando uma bolada e ele dizer "não, esse é o meu sonho" e ela bancar.

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Com o filho Rodrigo, no Pacaembu. Hoje o rapaz é fisioterapeuta, professor de Yoga e Judô

WN - Eu queria dizer que nada disso teria acontecido se não fosse a Nilde. A Nilde é a pessoa mais importante da casa, é a pessoa mais importante da nossa vida, é a pessoa que dá aquele ponto de equilíbrio. É ela que comanda o espetáculo e dá estrutura. Quer dizer, o cara vai viajar, fica setenta dias fora. Se o cara não souber como está a vida dele aqui, será um inferno para quem fica e um inferno para quem vai. Então, ela criou as crianças praticamente. A ausência em muitas ocasiões a gente tenta compensar pela qualidade, não pela quantidade de tempo que pode oferecer. Mas a Nilde foi incrível. Ela foi fantástica desde o primeiro momento da minha vida profissional. Então, ela foi a base de tudo. Sem ela, eu não sei o que teria acontecido. Eu não sei o rumo... o que teria feito... para onde teria ido. Não sei. A Nilde foi fundamental.

De repente, foi o caminho oposto ao que todo mundo segue. O cara começa a fazer um trabalho - que dá certo - e o cara muda. Daí, o casal não aguenta e separa.

WN - No nosso caso, só para ter uma idéia, nós éramos jovens... quando eu casei, estávamos muito bem estruturados. Quando casei, a mensagem do meu convite de casamento... casei numa segunda-feira, às 9 da noite. Então foi tudo diferente na minha vida. Quando eu casei, a mensagem expressa no convite era: "Não nos dê presente, por favor". Não precisava de presente porque a gente tinha tudo. N&ós compramos tudo. Como é uma história de amor longa, então, fomos comprando, sabéamos que íamos nos casar, não tinha jeito de não casar, então levou sete anos a nossa preparação para o casamento. Em sete anos, compramos tudo. As coisas mais modernas. Então casamos e tnhamos tudo, além de um bom emprego. E aí, disse a ela que queria deixar o emprego. Não é qualquer uma que topa. Você pode gastar cinco, mas a partir de amanhã, só vai poder gastar um. Foi uma decisão nossa... um emprego de doze anos e ela topou. E deu certo. Felizmente deu certo e eu faria novamente. É uma maravilha, mas não é fácil.

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Com a mulher Nilde, recebendo um dos primeiros troféus de sua carreira. Ela ao lado dele, sempre.

E para dar certo, tem o período em que você está trabalhando longe da família...

WN - Claro. E não deu certo da noite para o dia. As coisas tiveram um processo. Estamos falando de uma empresa em que estou há quase 25 anos. As coisas foram por etapas. Deu certo, me sentia feliz, isso já era um ponto extremamente importante. Nunca tive minha mulher me pressionando porque existia São Silvestre... por dezoito anos, eu não passei a virada do ano com ela. Por dezoito anos, eu passei na avenida Paulista. Então, ela passava com todo mundo, menos com o marido dela e os filhos, a mesma coisa. Porque a corrida de São Silvestre era a meia noite. Não é qualquer mulher que aguenta isso. Veio o Pique da Pan, quase 20 anos... 20 anos sem poder receber ninguém em casa à noite. Eu estou falando de coisas pessoais. Não pudemos convidar ninguém para jantar em casa a noite nos dezoito anos em que estou fazendo o Pique da Pan. Faz 25 anos que não tenho Domingo.

Primeiro, você tem que amar aquilo que faz, isso é o ponto básico. Segundo, fazer daquilo uma mescla entre prazer e profissão, que é o caso, e ter uma família que não transforma a tua vida em um inferno porque você diz: "Que maravilha, eu estou aqui, mas agora, vou pegar o carro, vou para casa e encontrarei um inferno". Nariz atravessado, reclamações, filho desestruturado, o pai culpado por tudo o que acontece, é um ausente. Então, nada disso acontece comigo. Eu sou um cara feliz, absolutamente feliz neste campo. Não tenho problemas e tenho uma mulher que bancou tudo isso. Quer dizer, toda noite, sabe o que são dezoito anos te esperando? Dezoito anos só jantando quando você chega? Isso é quase um prêmio na loteria, porque você não vive só o teu universo. Se eu fosse um cara só, tudo bem. Saio daqui, vou para o flat e acabou. Estou consciente de que minha vida é uma solidão. Então, está tudo certo. Mas eu não, eu sou carente.

Eu quero ter uma mulher legal, uma mulher carinhosa, que conversa comigo. Eu quero ter o carinho dos meus filhos, quero trocar idéias com meus filhos, quero dar opinião, saber o que ele pensa, saber como é que vai na faculdade, o que a minha filha está fazendo. Tudo isso às duas da manhã. Quais as pessoas que compreenderiam isso? São poucas. Então, minha vida foi na Jovem Pan, meus filhos cresceram na Jovem Pan, aprenderam a gostar da Jovem Pan, são tão fãs da Jovem Pan como eu sou. Minha mulher gosta da Jovem Pan como se fosse dona da rédio. Meus filhos têm orgulho da emissora em que o pai deles trabalha, até porque eles a viram crescer.

Enquanto a vida de vocês foi crescendo, o sonho foi crescendo junto...

WN - As conquistas fizemos juntos. Conquistas pessoais, conquistas patrimoniais. Meu pai se dedicou em minha vida inteira para conquistar o espao que pretendia alcançar sem grandes atropelos. Então, é assim. Natal, por exemplo, em alguns Natais, eu larguei a ceia para vir à rádio dar uma notícia. São coisas que marcam a gente e que se for parar para pensar, vem tanta coisa na cabeça, tantos momentos incríveis, trabalhos incríveis, reportagens, dificuldades...

Saiba Mais: O bom humor


Entrevista a Álvaro Alves de Faria, extraída do livro "Jovem Pan: A Voz do
Rádio" (RG Editores)

AA - Wanderley Nogueira é uma pessoa que, estando em Lisboa às 3 horas da madrugada (23 horas no Brasil), numa casa de fados na Alfama, ao lado de sua mulher Nilde, liga pelo celular e diz:

WN - Poeta, estou tomando um vinho e me lembrei de você. Quero que você ouça este fado.

AA - E deixa o som do fado com seu poema de amor atravessar o Oceano Atlântico.

AA - Depois pergunta:

WN - Gostou?

AA - Em sequida diz:

WN - Tomo um gole em sua homenagem!

AA - E desliga.

AA - Coisas assim revelam quem é Wanderley Nogueira, repórter de esporte da Jovem Pan, amado por todos por sua competência e cordialidade constante em tratar com as pessoas, com seus cinco cães e ao cuidar, todos os dias, da gruta que tem no enorme quintal, homenagem à Nossa Senhora...

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Álbum de fotos pessoais octavio-rizzo
Sr. Octávio Rizzo, pai de Wanderley Nogueira.
Foto: Arquivo Pessoal