Comentários



Temor Absurdo

O professor Dunga e alguns dos seus mais fiéis convocados dizem que a grande dificuldade no Mundial é a estreia. Imediatamente vem à cabeça a seleção da Coreia do Norte. Pôxa, será que enfrentar os norte-coreanos pode ser considerado uma grande complicação? Certamente, já tem alguem dizendo que isso é uma prova de humildade da Seleção Brasileira, um gesto de grande profissionalismo…

É verdade que a seleção da Coréia do Norte é misteriosa. No último sábado perdeu por 1 a 0 para o Paraguai em Nyon, na Suiça, e o treinador Kim Jong Hun não apareceu para a entrevista. Um dia antes do jogo autorizou um encontro com os jornalistas, mas impediu perguntas politicas . Falar com os jogadores? Nem pensar. Hoje, ninguém sabe onde está o selecionado norte-coreano. Tudo em defesa do silêncio e da tranquilidade.

O primeiro adversário brasileiro no Mundial é muito fraco. O time é retrancado, tem jogadas conhecidissimas e ineficientes. A bola é um efeito complicador na vida da seleção norte-coreana. Contra os paraguaios os 11 jogadores asiaticos jogaram na defesa. Perderam depois que um pênalti foi marcado contra eles aos 40min do segundo tempo.

Um jornalista suíço disse que parece um time de mudos… ninguém fala com ninguém. Os jogadores são silenciosos durante a partida. Agem com respeito, quase subservientes. Esses norte-coreanos serão os primeiros adversários da badalada e milionária Seleção Brasileira. É óbvio que o professor Dunga e seus jogadores ganharão e ainda ninguém sabe de quanto…

Mas o que incomoda é o discurso de preocupação diante da estreia. No mínimo, é uma falsa humildade, é puro orgulho. O time brasileiro sabe que tem tudo para atropelar o adversário e o discurso já é esperado: “passamos pelo temor da estréia, começamos bem, demos o primeiro passo e isso foi o mais importante”.

Temor da estreia? O poderoso futebol verde-amarelo vem com essa conversa fiada que enfrentar a Coreia do Norte em um Mundial é preocupante? Por mais boa vontade, não dá para aceitar calado ouvir a Seleção dizer que a grande dificuldade é a estréia. Se o adversário fosse uma seleção intemediária, ainda vai…

O conforto, a estrutura, a preparação e o dinheiro à disposição da Seleção Brasileira não existem nas mentes dos jogadores da Coreia do Norte, nem nos seus mais delirantes sonhos e fantasias.

Por falar em sonhos, se o Brasil tiver qualquer grau de dificuldade contra a Coreia do Norte, é melhor pedir para descer do onibus verde-amarelo.

 

WANDERLEY NOGUEIRA


Lotado! O Brasil inteiro está aqui dentro

Essa é a frase que estará aplicada no onibus da delegação brasileira na Africa do Sul. Um veículo repleto de pensamentos positivos. É com essa força que a CBF espera contar a partir do momento em que a seleção desembarcar no território sul-africano.

Mas o ônibus só vai continuar lotado se o time mostrar um bom futebol. A eficiência da equipe é que vai determinar se a torcida continuará a bordo ou descerá na próxima parada. Ir até o fim da linha sem nenhum questionamento é o chamado voo no escuro. Embarcar no ônibus da Seleção tem até um sabor interessante. Mas ela precisa atrair os passageiros.

Se a Seleção derrotar jogando bem a Coreia do Norte, Costa do Marfim e Portugal, o onibus da seleção vai continuar transportando milhões e milhões de brasileiros. Só vai valer a pena acompanhar os convocados do professor Dunga se o selecionado mostrar um futebol de qualidade.

E é bom deixar claro que é preciso ganhar  jogar bem e com um belo cenário. Ganhando com um futebol sem sal, vai provocar o desembarque dos passageiros mais exigentes. E, felizmente, são muitos.

Tem passageiro que sempre exige o melhor. Afinal, está pagando o seu lugar no onibus com fé, esperança, entusiasmo, carinho e respeito. E quem dá tudo isso não quer nada menos do que o melhor. Até porque sempre “venderam” que o futebol brasileiro é o melhor , o mais genial, o mais bonito, o mais encantador…

Há tambem o grupo de passageiros que aceitará um futebol intermediário. É aquele que só se interessa pela vitória. Vencer a qualquer custo é o seu lema. Esse vai continuar firme no seu lugar de passageiro no onibus conduzido pelo professor Dunga. Ganhando é o que importa. O seu critério de avaliação abraça mais os objetivos alcançados e não dá tanta importância ao requinte.

Na hipotese improvável de tropeços na primeira fase do mundial, será um imenso desembarque coletivo. Será o maior empurra-empurra já verificado num coletivo. Quase todo mundo vai procurar a saída e xingando…

Apoiar um time de futebol tem limites. Mesmo que equipe represente o esporte preferido do país, é preciso que ela retribua a confiança mostrando talento e competência.

Torcedor extremista, aquele que por pirraça, decide ir até o final da linha mesmo com o onibus desgovernado, cheio de defeitos e com raras virtudes, não ajuda em nada. É o tipo do apoiador que alimenta tropeços e baixa qualidade.

 

WANDERLEY NOGUEIRA

PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Sex, 09 de Julho de 2010 00:00

O Mundial é uma competição curta e é claro que Joachim Löw tomou a decisão correta. Ganhar ou perder é do esporte, mas levando os jogadores que estão mais afiados no período do torneio, as chances de sucesso crescem.

O técnico alemão disse que levou os jovens porque eles estavam vivendo um melhor momento antes do Mundial.

Romário disse na África que “aquele que é melhor hoje não quer dizer que será melhor em 2014″.

O tempo serve para isso e aos poucos vão surgindo vozes importantes falando o que quase ninguém apoiava.

Faz tempo que a Seleção Brasileira tem adotado essa bobagem de “família tal” e o grupo que começa tem de ir até o final da Copa. Quando o técnico age dessa forma, é elogiado e chamado de “coerente”.

O treinador de plantão quer mostrar fidelidade e parceria.

Pode até dar certo, mas o ideal é levar os que estão em melhor forma no período da Copa do Mundo.

Depois que a competição passa, muita gente começa a perceber o óbvio.

Parece algo tão fácil de entender, não é? Mas não é esse o critério que vem sendo adotado.

Os treinadores se orgulham de dizer que “começamos com um grupo e fomos com ele até o final”.

Os que passam por decadência técnica continuam sendo convocados.

Aqueles que vivem bons momentos, são esquecidos. Não fazem parte da tal “família”.

E ao longo do “processo”, coitado de quem sugere que o treinador leve os melhores do momento.

O atrevido é acusado de “torcer contra” e “não apoiar o trabalho do professor” de plantão.

Já imaginaram se o novo treinador da Seleção Brasileira insistir nesse padrão de conduta?

A CBF já deu ordens para que ocorra a renovação.

Se o contratado às pressas pela CBF convocar uma nova “família” e seguir com ela até 2014, a chance do Brasil não ser campeão é enorme. Erros do passado servem para apontar coisas que podem ser evitadas no futuro.

Tomara que o futuro treinador, contratado com açodamento pela CBF, perceba que montar o time hoje para o Mundial de 2014 é uma estupidez.

Mas, quanto maior a estupidez, maior a arrogância. Tomara que o novo comandante não seja arrogante. Siga os conselhos de Joachim Löw e Romário, professor…


WANDERLEY NOGUEIRA

Última atualização em Seg, 12 de Julho de 2010 18:50
 
PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Sex, 25 de Junho de 2010 00:00
A Seleção Brasileira chegou às oitavas de final do Campeonato Mundial.

Empate, sem gols, diante de Portugal.

Cumpriu a obrigação.

Com toda a badalação que envolve a Seleção do Brasil, ninguém no mundo esperava menos.

Foi a chamada operação padrão. O futebol? Fraco.

Aqueles que pensam só em resultados e vitórias acima de tudo, devem estar vibrando.

Mas, imagino, os que pregam qualidade não devem estar muito satisfeitos.

Tenho quase certeza de que os mais exigentes não tiveram nem entusiasmo para usar a vuvuzela.

Tomara que contra o Chile tudo seja diferente. É um fiel “freguês” de quase um século.

Se depender do retrospecto é vitória certa: 65 jogos, 46 vitórias, 12 empates e 7 derrotas.

Em mundiais (62 e 98) o Brasil marcou oito gols e sofreu três.

Pedir qualidade é pedir muito ?

 
PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Seg, 21 de Junho de 2010 00:00

“…Quando o Mundial terminar, um manda o outro para o inferno e, pronto, acabou “.  

Felipão acha que durante a competição um deve tolerar o outro.

Quando o Mundial acabar, Seleção de um lado e imprensa do outro.

Discordo do bom Scolari. Ouvi dizer que o inferno é assustador.

Dunga mandou todo mundo para o inferno em 90 e não acabou.

Em 94, erguendo a taça, o capitão Dunga mandou todos para, digamos, o inferno. E não acabou.

Na França, Dunga não esqueceu de mandar o pessoal para o inferno. E não acabou.

O professor Dunga desse jeito vai lotar o inferno.

É verdade, também, que por lá sempre cabe mais um.

Depois de mais uma discussão com um jornalista, Dunga mandou todos que estavam na sala, para o inferno.

Não foi só para o inferno, não…mas aquele  subterrâneo é, entre todos, o lugar mais escolhido quando Dunga resolve mandar alguém.

Ah! Mas ele não mandou todo mundo pra lá, dirão os menos atentos.

Quando ele disse que o secretário geral da FIFA não tinha o direito de falar da bola pelo fato de nunca ter jogado futebol, o recado foi para todos os jornalistas do planeta. Ele sabia que Jerome Valcke é jornalista.

Na última entrevista, quando xingou Alex Escobar, era um xingamento extensivo a todos…

O mastigamento do próprio fígado não tem fim para Dunga.

Para o treinador da Seleção, pelos indícios, essa trituração com seus dentes, não acabará tão já…

Mas, vamos voltar ao destino indicado: o inferno.

Quando a Copa do Mundo acabar, com o Brasil campeão ou não, há lugares muito mais atraentes e adequados para refletir o desastre ou a consagração.

Já imaginaram? Ir para o inferno e encontrar milhões e milhões de demônios por perto.

Só falta passar por lá um ônibus, com a mensagem “Lotado. O Brasil inteiro está aqui dentro”.

Pessoas atormentadas, martirizadas… Todas misturadas com jornalistas, treinador e jogadores.

Derrotados ou vencedores, todos no inferno, não dá… Eu não aceito a sugestão do professor Scolari.

Pelo que dizem, o inferno é muito desorganizado, muito confuso.

Alguns estudiosos afirmam que no inferno todo mundo é desassosegado e inquieto.

Quer saber? Acho até que quem adora apontar o inferno como destino pós-mundial não vai se sentir bem por lá.

Nenhum dos lados vai adorar aquelas profundezas.

Felipão deveria ter sugerido um churrasco pós-mundial.

Claro, cada lado numa churrasqueira distante. Não no inferno.

Há comentários de que no inferno o churrasco não é dos mais agradáveis e a carne queima com muita facilidade.

Última atualização em Sáb, 26 de Junho de 2010 21:23
 
PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Seg, 21 de Junho de 2010 00:00

Portugal está vibrando. Sorrisos em todos os pontos e fados.

Sete gols num Campeonato Mundial não é comum. Vale mesmo comemorar.

Amanhã é outro dia. Hoje, o torcedor português tem motivos para ficar emocionado.

Corretamente, a imprensa portuguesa abre manchetes: “Joga bonito!”, “Pronto, viraram o frasco!”, “Portugal enche a barriga após jejum”.

Fernando Pessoa, em seu poema Felicidade, recomenda que:

“Se estiver tudo certo, continue”.

“Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário. Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas”.

“Se achar que precisa voltar, volte!”

“Se perceber que precisa seguir, siga!”

“Se estiver tudo errado, comece novamente.”

“Se estiver tudo certo, continue.”

“Se sentir saudades, mate-a.”

“Se perder um amor, não se perca!”

“Se o achar, segure-o.”

Eu não vi quando o Brasil aplicou uma goleada desse porte numa Copa do Mundo.

Foi em julho de 1950, contra a Suécia, 7 a 1. Faz tempo.

Será que ainda verei? Tomara…

 

WANDERLEY NOGUEIRA

 

Última atualização em Sáb, 26 de Junho de 2010 21:24
 
PDF Imprimir E-mail
Escrito por Administrator   
Sáb, 26 de Junho de 2010 21:20

Há avisos dispensáveis.

Alguns, são curiosos.

Em uma caixa de remédio, “Tome uma cápsula três vezes ao dia por via oral”, em um cordão de luzes de Natal, “Somente para uso interno ou externo”, em uma caixa de tachinhas, ” Não engula. Pode causar irritações “, em uma placa rodoviária, “Cuidado! Água na estrada durante a chuva”, e, na entrada de um cemitério do interior de São Paulo,”Só tem direito de serem sepultados , aqui, os mortos que vivem nesta cidade”.

Mas, às vezes a gente fica pensando… Mesmo assim, eu deveria ter avisado.

Ah! Isso todo mundo sabe, mas é melhor esse tipo de excesso do que a omissão.

Quando eu digo na redação que o nível de criatividade da Seleção Brasileira é quase nulo, poucos se importam.

A resposta mais rápida é “o futebol mudou e não permite romantismo. O que interessa é vencer”.

Eu ainda tento encaixar “mas, até quando? É preciso corrigir esse futebol vazio.”

No dia seguinte a discussão vai continuar, sem dúvida…com avisos de todos os lados.

Mas, vamos falar do futuro, avaliando o passado.

Eu mesmo já falei muito sobre as maluquices que fazem com o dinheiro. Quando se monta um mundial de futebol ou Olimpíada, mas sempre aparece uma informação para aumentar a preocupação.

Os jogos de Pequim consumiram 40 bilhões de dólares e várias instalações construídas com o dinheiro já estão fechadas.

Um jornalista canadense disse que depois que realizou os Jogos em 1976, Montreal ficou 30 anos pagando dívidas.

Todos sabemos como está o “legado” deixado pelos Jogos Panamericanos de 2007, no Rio de Janeiro.

Não foi só a Olímpiada de 2004 que quebrou economicamente a Grécia, mas ajudou com os 15 bilhões de dólares gastos com o evento.

Os estádios da África do Sul são muito bons e depois da Copa se incorporarão à manada de Elefantes Brancos esparramados pelo mundo.

O que pensar do Brasil em 2014? E os gastos para 2016?

O que for feito com dinheiro privado, é problema do investidor.

Ele correrá o risco de ir à falência ou ficar ainda mais rico.

Mas o que é feito com o meu (nosso) dinheiro eu tenho a obrigação de ficar preocupado.

E avisar, mais uma vez, não custa nada…

Mas, reconheço ,há avisos idiotas ou engraçados encontrados numa consulta à internet, como um cartaz na borda da piscina de um luxuoso clube paulista depois de terem contratado um forte e bonito salva-vidas:

“Pede-se às senhoras e senhoritas que solicitem o salva-vidas somente se estiverem realmente para se afogar”.

Mas, avisar não machuca…

 
«InícioAnterior123PróximoFim»

Página 1 de 3
kaka
O jogador Kaká em jogo do Brasil na final contra Bélgica em 2008 às vésperas de receber seu contrato para sair do brasil
http://enfiadasdebola.blogspot.com/2008/07