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Convocação triste com lógica matemática
Deu a lógica na convocação do professor Dunga. Foram 42 meses sem grandes emoções. Eu sei que alguem deve estar dizendo que a seleção ganhou duas vezes da Argentina. É bom vencer os hermanos, reconheço. Perdeu pouco, chegou na frente nas Eliminatórias...mas, emocionou? Alterou o seu batimento cardíaco ? Você suspirou de prazer? Eu não! Claro que é bom vencer, óbvio que é melhor ganhar mais do que perder...
Futebol bonito, nem pensar. Eu já ouvi: perde essa mania, para com esse discurso, o importante é vencer e fim de conversa. Confesso que até faço força, mas não consigo aceitar isso. Nem bem terminou de anunciar os 23 nomes um jornalista importante disse que "Dunga foi coerente". É verdade, mas tem muita gente boa na história que afirma que coerência é a virtude dos imbecis. E atenção! Não estou chamando o Dunga de imbecil. Ele não é e está muito longe disso. Mas, pelo menos, vale pensar sobre coerência .
A convocação foi lógica, outra frase que invadiu o salão da cerimonia da convocação. De novo vale lembrar o que dizem alguns pensadores: "lógica é o método sistemático de chegar às conclusões equivocadas com total confiança". Você pode concordar ou não com isso, mas não custa refletir sobre essa conclusão.
A convocação do professor Dunga foi um retrato do time: nada de emoção, nada de novidade, nada de alteração nos batimentos cardíacos, foi uma lógica matemática. E a libertade poética? Nem pensar...
Eu gostaria de ouvir do professor Dunga algum nome novo, uma grande sacada. Eu queria um nome que pudesse provocar uma dose de surpresa, nem que fosse pequena. Eu até sonhei com uma surpresa com talento, permitindo que aquele que ganhou talento de Deus, diga quando estiver diante D'ele: o professor Dunga permitiu que eu usasse tudo o que o Senhor me deu...
WANDERLEY NOGUEIRA
Jogador da Seleção é um sortudo
É uma grande moleza jogar em algum clube fora do Brasil e ser convocado para a Seleção Brasileira.
E ainda encontram espaço para a amorosa frase: estou longe, mas o meu coração é do futebol brasileiro.
Os convocados pelo professor Dunga são valorizados em seus empregos, mostram que são respeitados e reconhecidos pelo treinador do selecionado do seu País.
Ganham mais dinheiro, reformam contratos, são procurados por outros clubes e muitas empresas querem tê-los como divulgadores de seus produtos. Nunca ficarão sem empregos.
E, em caso de derrota jogando pela Seleção Brasileira, não existe nenhum tipo de pressão e cobrança. É uma maravilha. Para recuar só um pouquinho no tempo, foi assim em 1998 e 2006. Depois de eliminado, o selecionado dispensou os jogadores lá mesmo na Europa. É conhecido o episódio de alguns jogadores que horas depois da lamentável participação brasileira na Alemanha já estavam numa casa noturna tentando esquecer a derrota.
Enquanto os torcedores brasileiros ainda choravam a frustrante atuação da Seleção no Mundial, quase todos os jogadores já estavam de volta às cidades onde moravam com família e ao lado dos amigos. Longe, bem longe do velório brasileiro. Distantes do Brasil, seguiram vida normal, o mesmo supermercado, os mesmos trajetos, as mulheres e os filhos não foram incomodados e ninguém falava mais nos seus ouvidos sobre a péssima participação brasileira na Copa da Alemanha ou da França.
Se jogassem no Brasil seria diferente, bem diferente. Ficariam enclausurados por muito tempo. Até mesmo envergonhados de sair pelas ruas. Os filhos seriam cutucados pelos colegas nas escolas, as mulheres seriam questionadas sobre a apresentação dos maridos ou namorados. Ouviriam xingamentos, críticas seriam repreendidos em todos os lugares e por muito tempo. Essa é a verdade da vida real.
Jogar pela Seleção Brasileira e morar no Brasil não é fácil, não
Atuar na Seleção Brasileira morando em outros países é um sonho dourado. Se ganhar, volta como integrante de um grupo de guerreiros vitoriosos e carregado pelos braços do povo. Se perder, a distância resolve o problema é só desligar o telefone, desconectar os sites brasileiros, só assistir a canais internacionais e pronto ninguém numa rua italiana, alemã ou espanhola vai tocar no assunto. Continuará tendo muita paz nada mudará na vida dele.
Vestir a camisa da Seleção Brasileira, trabalhando em clubes do exterior, é o desejo de todo jogador de futebol. Colhem frutos adoráveis depois de vitórias, são vistos como verdadeiros heróis da pátria, sobem e descem rampas
Mas, depois de megatropeços, seus ouvidos e olhos não são atingidos. No dia seguinte não precisam passar pelo dissabor de olhar nos olhos da torcida brasileira
Jogador da Seleção Brasileira que trabalha no exterior é, acima de tudo, um sortudo.
WANDERLEY NOGUEIRA
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- O jogador Kaká em jogo do Brasil na final contra Bélgica em 2008 às vésperas de receber seu contrato para sair do brasil
http://enfiadasdebola.blogspot.com/2008/07



