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A falsa intimidade
Depois de muitas reclamações, a CBF fez algumas pequenas concessões e abriu, por algum tempo, a concentração da Seleção Brasileira em Curitiba. A abertura foi decidida depois que o público começou a xingar os jogadores e o treinador.
É claro que a autorização para a entrada de duas centenas de torcedores não partiu do coração. Quem acompanha a Seleção há muitos anos como é o meu caso sabe perfeitamente que se existe uma coisa que o selecionado não suporta é a proximidade com o torcedor. Quanto maior a distância, melhor. Esse conceito vale para todos: jogadores mais jovens, mais veteranos, comissão técnica e dirigentes.
Alguém deve ter dito que já temos a imagem de antipáticos, de um grupo que não tem nenhuma vinculação com a torcida brasileira e é melhor abrir um pouquinho. E homens, mulheres e crianças que estavam na portaria do CT do Caju ficaram felizes, registraram com fotos e até aplaudiram a Seleção. A migalha de abertura funcionou naquele momento.
É verdade que o CT não é estádio, não tem estrutura para receber um grande público. Mas, se a Seleção gostasse mesmo de povo, teria feito um treino aberto em algum estádio da capital paranaense. Só permitiu a presença de torcedores para, digamos, não queimar o filme
O pessoal da Seleção Brasileira acha que torcedor deve ficar nas arquibancadas dos estádios, assistir às partidas pela televisão ou ouvir as transmissões de rádio. Público em treinamento? Só quando gera dinheiro, como em Weggis 2006, por exemplo.
Quem já cruzou com jogadores badalados sabe o que eu estou falando. São muitas as reclamações de autógrafos frios e da falta de pelo menos um olhar gentil. E há também aqueles que nem param para ouvir os elogios. Diante das câmeras têm um comportamento, mas longe delas comportam-se como deuses intocáveis. As exceções são raríssimas. Sempre que posso, digo que o melhor mesmo é manter distância dos ídolos. A chance de uma dura decepção diminui muito
Quando eu vi criancinhas sendo abraçadas para o registro das câmeras, lembrei-me do comportamento habitual dos políticos. Beijam criancinhas, forçam os sorrisos, retribuem abraços, cantam, dançam, fazem o V da vitória, lançam promessas Mas todo mundo já sabe o que eles pensam quando deixam o local.
WANDERLEY NOGUEIRA
Coisas diferentes
Nesse espaço já ficou muito claro que a convocação do professor Dunga não agradou o blogueiro. E os leitores se manifestaram livremente. Alguns também rejeitando boa parte dos nomes escolhidos pelo treinador e outros aprovando integralmente as indicações do técnico.
Agora o que está sendo abordado pela mídia é o estilo adotado pela concentração da seleção. É óbvio que todas as decisões foram tomadas seguindo determinações do treinador.
É preciso levar em conta que o roteiro tem o objetivo de fazer o time jogar melhor, mostrando total concentração. Dunga decidiu que só vai falar com os jornalistas quando chegar à Africa do Sul. Acabou com as zonas de entrevistas dos jogadores, permitindo somente coletivas diárias com dois ou três jogadores escolhidos por ele.
Nada de imagens dos treinamentos físicos. Câmeras e fotógrafos só nas atividades com bola. Dunga proibiu programas humorísticos por perto, impediu a montagem de tendas de patrocinadores e de emissoras de televisão que transmitiam ao vivo os treinamentos da seleção.
E quando a seleção chegar à Africa, dizem, o rigor será ainda maior. Imagino, o interesse do professor Dunga, é de impedir que os jogadores percam o foco, fazê-los jogar melhor.
Quando a bola começar a rolar, todos nós veremos se o estilo Dunga de preparação tem resultados práticos. Para o blogueiro, não basta só vencer. É preciso jogar bem, mostrar um futebol bonito, vistoso, atraente e, se possível, avassalador.
A etapa convocação já foi superada. Aplausos e vaias já ficaram no passado. Agora é um outro capítulo. Coisas diferentes.
WANDERLEY NOGUEIRA
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- O jogador Kaká em jogo do Brasil na final contra Bélgica em 2008 às vésperas de receber seu contrato para sair do brasil
http://enfiadasdebola.blogspot.com/2008/07



